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Mulheres indígenas lutam por justiça de gênero

Posted on: March 3, 2020 1:52 PM
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O Departamento de Justiça de Gênero do Anglican Communion Office (Escritório da Comunhão Anglicana) convidou Ruihana Paenga, membro da Igreja Anglicana de Aotearoa, Nova Zelândia e Polinésia, para refletir sobre as vozes das mulheres indígenas na luta por justiça de gênero no contexto da Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher (UNCSW por sua sigla em inglês). Ruihana Paenga foi membro da delegação da Comunhão Anglicana na UNCSW63 em 2019.


No ano passado, fiquei muito inspirada em minha primeira incursão nas Nações Unidas na 63ª Comissão sobre o Status da Mulher (CSW63). Eu estava nervosa por estar fora da minha realidade e impressionada com a experiência. No entanto, não havia tempo ou espaço para que esses nervos aparecessem. Especialmente em Nova York! E enquanto Nova York nunca dorme, pode-se dizer igualmente que o movimento feminista nunca dorme! Percebi ainda mais que sou uma beneficiária da profundidade e da longevidade do compromisso feminista de melhorar as condições de vida das mulheres em casa e no cenário mundial. Esse compromisso de gerações de Mana Wahine (poder feminino) não cessou e NÃO DEVE cessar, e aqueles e aquelas de nós comprometidos com o trabalho do amor, devemos propagar boas novas e discipular outros para alcançar os mesmos fins. NÃO devemos cessar!

Saí do evento sentindo-me apaixonada, despertada e focada em acabar com o sofrimento humano e derrubar políticas, atitudes e culturas que suprimem, debilitam e violam nossas irmãs e irmãos que somos chamados a amar e servir. Saí com urgência de educar e falar nos fóruns da minha Igreja, no governo local e nacional e nos fóruns regionais da ONU. Comecei a pressionar meu próprio povo pela igualdade de gênero, que descrevo como Mana Wahine, porque nossas mulheres Maori conhecem o Mana Wahine, mas são menos familiarizadas com o termo igualdade de gênero.

Quando a intensidade diminuiu, procurei orientação para refletir sobre as muitas ideias e caminhos que essa experiência me proporcionou. Uma de nossas presbíteras, Dame Iritana Tawhiwhirangi, disse: “Se você deseja empoderar as pessoas, precisa desapoderar o que está lá. Não totalmente, mas precisa derrubar e empurrar.” Valorizo ​​esse conselho porque me lembrei que é um processo longo. Há 25 anos, mulheres que agora estão em altos escalões de liderança tribal e nacional estavam presentes em Pequim com a Liga de Bem-Estar das Mulheres Maori defendendo mulheres como eu e Mahinarangi, a jovem líder que levarei comigo para a CSW64. É a minha vez de abrir espaço para uma nova geração de jovens líderes de Aotearoa, Nova Zelândia e Polinésia e para a comunhão.

Mas voltando á CSW64, uma coisa que quero reconhecer é a intencionalidade, a política e o processo que o ACOUN possui para reunir a delegação anglicana. Existe um enorme potencial para que as parcerias cresçam e façam mais em conjunto com outros membros da ACT Aliança, do Conselho Cristão de Igrejas, da Igreja da Suécia e até de organizações da sociedade civil secular.

Espero que, como comunhão, continuemos elevando os jovens a posições e oportunidades de influência, e que tenhamos a mesma intencionalidade em relação a todos os fóruns da ONU, como o das Mudanças Climáticas e o Fórum Permanente sobre os Direitos dos Povos Indígenas.